Entrevistas: Quais são os seus pontos fortes?

Em mais um artigo da série sobre as perguntas mais comuns em entrevistas de emprego, o VT ajuda os candidatos a responderem quais são seus pontos fortes.

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A entrevista é uma das fases mais temidas dos processos seletivos, seja nos disputados programas de trainee ou em qualquer outra oportunidade.

Pensando nisso, criamos no VT uma série sobre as perguntas mais comuns dessa etapa, não para apresentar o que seria a “resposta ideal” — que não existe — e sim para explicar o que esses questionamentos buscam avaliar e como você pode se preparar para respondê-los.

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Quais são os seus pontos fortes?

Esse é o tipo de questão que deixa o candidato bem à vontade e aliviado. Afinal, tudo o que ele precisa é ressaltar o que tem de melhor, algo bem mais fácil do que falar de seus defeitos (de que trataremos em um artigo oportuno).

Empolgado, o pretendente à vaga começa então a enumerar todos os clichês de que consegue se lembrar, certo de que está “abalando”. Mal sabe ele que os seus concorrentes despejarão uma lista bem parecida em cima do pobre do recrutador!

Chega a ser cômico. De verdade. Tanto que o humorista Murilo Gun já fez piada disso em um texto divertidíssimo, também disponível em vídeo.

Eu sou um cara dinâmico, dedicado, organizado, centrado, ágil, versátil, flexível, criativo, proativo, decisivo, comunicativo, comprometido, extrovertido, mas não sou metido não.

Sou agregador de valor, adaptável a mudanças, focado em resultado, tenho facilidade para trabalho em equipe, espírito de liderança, bom relacionamento interpessoal e pensamento sempre positivo (exceto quando estou esperando resultado de teste de HIV, aí não!).

Na minha carreira sempre busquei dividir responsabilidades, subtrair diferenças e somar os esforços para multiplicar os resultados.

Adoro encarar desafios, correr riscos e cumprir metas. Minha grande qualidade é a ética e o profissionalismo; o meu maior defeito é ser muito perfeccionista.

Brincadeiras à parte, já deu pra perceber que é preciso mais do que simplesmente elencar as suas qualidades, inclusive para não ser pego “na mentira”. Imagina só o mico:

Recrutador: Qual é a sua maior qualidade?

Candidato: Eu sou muito criativo.

Recrutador: É mesmo? Me conta um exemplo em que você utilizou a criatividade no seu trabalho.

Candidato: Eeeeerrr… bem… é que… assim… um exemplo… não estou me lembrando agora, são tantos… deixa eu ver….

Ora, estamos falando de seu maior diferencial, aquela característica de que você mais se orgulha. Se isso é algo tão intrínseco a você, não deveria ser tão difícil assim recordar situações em que esse recurso foi empregado no desempenho de suas atividades. E mais: deve haver inúmeras ocasiões em que essa postura foi fundamental para alcançar o resultado pretendido.

Além disso, é importante priorizar aquilo que considere como mais adequado ao cargo e à organização. Mas atenção: eu não estou dizendo que você deva “se moldar” para “se encaixar na marra” no perfil desejado.

O que eu estou dizendo é que você deve selecionar suas fortalezas com inteligência. Logo, na dúvida entre 5 ou mais competências, você deve escolher aquelas que julgar mais úteis para aquela função e jeito de trabalhar da empresa.

Assim, se o cargo for de gestão, vale mais a pena usar o seu tempo para falar de seu modo de liderar do que de sua atenção para detalhes. Já esse último aspecto se torna mais relevante se a companhia tiver a Excelência como um de seus valores, ao mesmo tempo em que perde a força se o foco for a Velocidade.

Quer saber como responder as perguntas mais comuns em entrevistas de emprego? Então ouça os podcasts abaixo:

E se eu não souber quais são os meus pontos fortes?

Como falo há bastante tempo no VT, o autoconhecimento é essencial para a carreira. Porém, não é algo que se desenvolva da noite para o dia. Para ajudar nessa tarefa:

1. Reflita sobre momentos marcantes de sua vida pessoal e profissional. Procure se lembrar especialmente das situações mais difíceis. Como elas foram superadas? Como você enfrentou e resolveu esses problemas? Que atitudes foram decisivas?

2. A época da faculdade é uma fase de descobertas. Explore. Participe de atividades extracurriculares. Busque interagir sempre que puder.

3. Pergunte a pessoas em que confia quais são os seus comportamentos mais positivos. Faça um apanhado dos maiores elogios que já recebeu de chefes, colegas, professores e amigos. Analise os itens mais mencionados.

Veja só o meu caso: Desde a escola, sempre fui considerada uma “CDF” (ou “nerd”, se preferir). Então, naturalmente, eu me via como os outros me viam: estudiosa, organizada, disciplinada. E só.

Foi no curso de inglês e em um projeto voluntário que tive a chance de descobrir que eu era mais que isso. Eu comecei a ouvir repetidas vezes: “Nossa, como você é criativa!”

Logicamente, eu duvidava: “Criativa, eu? Não, gente! Vocês estão enganados. Eu uso régua para sublinhar minhas passagens favoritas nos livros, eu numero as páginas do meu caderno para fazer índice. Eu sou metódica e ‘certinha’ demais para ser criativa!”

Mas esses meus novos colegas eram mesmo insistentes e, com o tempo, de tanto receber esse feedback, comecei a acreditar que era mesmo verdade. E não é que eles estavam certos?

Hoje a criatividade sempre está entre as habilidades que cito quando sou entrevistada. E quando sou questionada sobre exemplos práticos e concretos, tenho vários na ponta da língua. E geralmente de situações “fresquinhas”, que aconteceram na semana anterior.

Daí, se você estiver atento, pode ser que esteja pensando: “mas você só devia falar desse atributo nos casos em que ele for importante para a vaga!”

E é aí que vem o mais bacana de conhecer bem suas paixões e talentos: eles estão tão ligados ao que sou que não consigo mais me ver trabalhando em uma posição ou local que não os valorize.

Afinal, seria um grande desperdício não utilizar os seus pontos fortes depois de tanto trabalho para conquistá-los, não é mesmo?

Você sabe o que é uma Entrevista por Competências? Saiba como se preparar ouvindo o episódio abaixo do nosso podcast:

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