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10 de Jul de 2012 4 min de leitura

Das Brigas que Perdi: Dinâmica de Grupo W.

Das Brigas que Perdi: Dinâmica de Grupo W.

Já participei de muitos processos seletivos, nas duas pontas: como candidata e como recrutadora. Foram muitas vitórias e alegrias, mas, como diz a música de Pato Fu (Perdendo Dentes): “As brigas que perdi, estas sim, eu nunca esqueci”.

Levar uma bota (ser reprovado) em um programa de trainee é mesmo uma das maiores frustrações na vida de um jovem da geração do “eu mereço”. Afinal, crescemos aprendendo que “quando a gente realmente quer uma coisa, a gente consegue”. Acontece que, na prática, o mundo não funciona dessa maneira.

Foi pensando nisso que decidi compartilhar com vocês algumas das derrotas que sofri em minha trajetória e o que aprendi com elas, na série de posts Das Brigas que Perdi.

Dinâmica de Grupo W.

Esse processo seletivo foi para uma empresa que atua na indústria de linha branca (geladeiras, fogões, máquinas de lavar, liquidificadores). Vamos chamá-la de W.

Eu já havia sido aprovada em uma série de testes, que foram divididos em duas etapas: primeiramente Inglês e depois Raciocínio Lógico, Atualidades e Português.

A dinâmica foi realizada em Outubro de 2009, em São Paulo, no prédio sede da companhia. Foi uma das minhas primeiras viagens de seleção.

Na apresentação, eles informaram que o programa teve 10.500 inscritos e que 1.500 haviam sido aprovados para a fase de dinâmicas de grupo, um número bastante alto. Pensei logo de cara: “Xi! Vão ter de reprovar muita gente nesta etapa”.

As atividades seguiram o script de sempre: cada um dos 20 participantes se apresentou, tivemos um coffee break (levamos uma bronca por conta do barulho) e na sequência voltamos para o estudo de caso.

E foi aí que eu tive uma das experiências mais desagradáveis da minha vida de candidata. Embora a organização atuasse no segmento de eletrodomésticos, eles optaram por um case relacionado à indústria do tabaco. A missão das equipes era aumentar as vendas, lançar novos produtos, atrair mais profissionais etc.

Nunca me senti tão desconfortável. Eu estava incrédula. Afinal, eu havia feito questão de não me inscrever em nenhuma empresa associada ao cigarro e agora tinha de “trabalhar” com isso? A minha visão de RH me levou à conclusão de que eles queriam ver se estávamos dispostos a tudo, no melhor do “custe o que custar”. E eu não gostei nem um pouco desse posicionamento.

O que me deixou ainda mais deslocada foi ver a forma como os demais candidatos se empolgaram com a proposta. O meu grupo sugeriu cigarros com “fumaça rosa” e uma embalagem delicada para atrair mais mulheres, o que certamente seria proibido pelo governo por chamar a atenção de crianças. Outros grupos sugeriram patrocínio de esportes e de eventos para jovens, o que já não é permitido há muitos anos.

Ou seja, como eu imaginava, as próprias soluções foram voltadas para a ideia do lucro a qualquer preço, passando por cima da ética e de outros valores e princípios básicos. E a forma como os participantes defendiam suas estratégias ao serem questionados seguiu a mesma linha.

Eu só não fiquei lá sem fazer nada porque procurei ao menos sugerir alguns pontos para a atração de talentos, por meio de salários e benefícios mais do que atrativos, algo que inclusive já é costume desse setor há muitos anos.

Para fechar com chave de ouro, os recrutadores ainda pediram para cada grupo escolher um “líder”, uma pessoa que teve mais destaque, e dizer o porquê, em uma atitude que não considero correta.

Fiquei só aguardando aquele momento final em que as consultorias costumam abrir espaço para os candidatos tirarem dúvidas e fazerem comentários sobre o que acharam da dinâmica, mas ele não ocorreu. Em vez disso, a empresa pediu que aguardássemos o feedback, que seria dado naquele mesmo dia, individualmente.

E que decepção! Eu já sabia que não havia sido aprovada (era óbvio), mas estava bastante curiosa quanto à essa inovação (na época) de cada candidato ter um retorno personalizado. Ainda mais porque essa foi a dinâmica de grupo em que vi mais recrutadores na minha vida! Para vocês terem uma ideia, cada grupo foi acompanhado de forma exclusiva por alguém do RH, um gestor ou uma consultora.

Assim, era de se esperar que a avaliação fosse ser bem estruturada. Em vez disso, foi superficial e naquela linha de ser mais assertivo e agressivo: “a sua equipe se entrosou muito bem, sem atropelos, mas ninguém mostrou liderança, você poderia ter imposto mais as suas decisões“.

Esse feedback desastroso foi o responsável por outras reprovações que tive mais pra frente, até que eu percebesse que de nada adiantaria mudar meu comportamento conciliador para algo mais impositivo e rígido, para algo que não era eu.

Lições Aprendidas

  • O autoconhecimento é mais importante do que o feedback.
  • O feedback serve para entender melhor o perfil desejado pela empresa, e não para saber o que você deve mudar em você.
  • Alguns pontos do feedback podem ser bastante válidos, mas sempre que eles forem contrários às suas características, compreenda que aquela organização não é para você e siga em frente.
  • As consultorias e empresas também precisam de feedback, pois é assim que os processos seletivos evoluem.
  • Melhor ser reprovado do que trabalhar em uma empresa que não combina com o seu perfil.

E a boa notícia é que a W. também evoluiu. Eles perceberam que o processo não estava bom daquele jeito e no ano seguinte mudaram de consultoria (estão com uma das mais inovadoras do mercado).

Hoje o processo deles engloba diversas atividades online, chats e mesmo blog de trainees para que empresa e candidatos se conheçam melhor.

E aí? Gostaram do meu depoimento? Então não deixem de curtir e comentar, que em breve publicarei mais posts da série.

Dica: A imagem do post é bastante reveladora. Que tal tentar adivinhar as próximas empresas?

Cíntia Reinaux
Cíntia Reinaux
Pernambucana desenrolada, canhota, curiosa, blogueira raiz, youtuber nutella e podcaster café-com-leite. Mais conhecida como "Cíntia do Vida de Trainee".

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