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VT Dicas: Entrevistas

05.12.2010 | em Carreira

Se você conseguiu chegar à fase de entrevistas de qualquer processo para trainee, considere-se vitorioso. Parece clichê, mas não é pouco ir até a fase final de um processo que começou com alguns milhares de candidatos. Isso ninguém lhe tira: você já provou que possui o perfil para trabalhar naquela empresa e que tem excelentes qualificações. Tanto que, não raro, as empresas convidam candidatos que não foram aprovados nas entrevistas para assumirem outras posições na companhia.

Esse é o momento em que o RH e os gestores irão avaliar se você realmente possui o perfil desejado para as vagas de trainee disponíveis. Algo bem mais específico. O gestor sabe exatamente o que precisa, pois o que ele busca é alguém para completar a sua equipe, seja com um perfil mais cuidadoso e analítico ou com um mais dinâmico e arrojado.

Muitos irão dizer que você só será aprovado “se o gestor for com a sua cara”. Bobagem. É claro que a empatia é um fator que deve ser considerado, mas não só. Quando você passa para o “lado de cá” dos processos seletivos é que começa a entender um pouco melhor como funciona tudo isso. Existe uma metodologia, do mesmo modo que acontece nas etapas anteriores.

Quando entro em comunidades do Orkut e vejo os comentários que surgem acerca das consultoras e seu “suposto método de avaliação”, fico escandalizada: como alguém pode diminuir tanto o trabalho e as competências de outro sem ao menos ter algum conhecimento sobre o assunto? Suponho que seja mais ou menos assim que essas pessoas imaginam que uma discussão sobre um candidato ocorra:

“Então, o que achou do candidato?”

“Por ser do signo de Áries, o João é muito impulsivo e não tem papas na língua. Isso pode prejudicar o relacionamento com a equipe. Além disso, ele não tem o menor senso de estética: você viu que gravata cafona ele estava usando?”

Gente, é lógico que não é assim! A maioria das grandes empresas utiliza a entrevista baseada em competências. Por meio dela, o entrevistador busca evidências de certas competências nos candidatos com base em experiências passadas vivenciadas por eles. De forma simplificada, os comportamentos passados são uma indicação de como o candidato pode vir a se comportar no futuro.

Com isso não tenho pretensões de esclarecer como são as metodologias utilizadas em entrevistas, e sim deixar claro que existe uma “ciência”, uma lógica por trás de tudo isso.

Bem, com essa questão “resolvida”, vamos às dicas.

Quanto à preparação

Mais do mesmo. Como sempre, pesquise bastante sobre a empresa (especialmente histórico, campanhas atuais e notícias mais recentes), procure chegar com antecedência, desligue o celular e, se “o que vestir” ainda for uma preocupação em sua vida, tenho duas dicas: baseie-se no que você pôde observar de como os colaboradores se vestem quando você esteve na empresa em outras etapas presenciais ou, na dúvida, vista-se de maneira mais formal, com terno e gravata para os homens e terninho para as mulheres.

Leia jornais. Parto do pressuposto que todos lêem jornais e revistas e procuram manter-se atualizados quanto ao que acontece no mundo à sua volta. Ocorre que, na fase final dos processos, normalmente estamos tão sobrecarregados que muitas vezes deixamos isso um pouco de lado. Aviso então que já ouvi relatos de gestores que perguntaram sobre as manchetes do dia ou até mesmo a cotação do dólar atual aos candidatos. Acredito que o maior objetivo seja a “surpresa”, para ver como o candidato reage a esse tipo de situação.

Conheça o seu currículo.Entre no seu acesso no site da consultoria e procure rever tudo o que foi preenchido no seu currículo na sua inscrição, inclusive nas perguntas subjetivas. Lembre-se de que são essas informações que os gestores terão a seu respeito. Caso existam novos dados relevantes desde então, leve uma cópia atualizada de seu currículo para a entrevista e explique o complemento. Aproveite esse momento de análise de seu histórico para refletir sobre os seus pontos fortes/de melhoria e também para pensar em projetos realizados e outras situações marcantes/relevantes de sua carreira profissional/acadêmica, bem como para relembrar atividades extra-curriculares (trabalhos voluntários, cursos etc). O ideal é que você esteja com a memória “bem fresca” para que possa facilmente dar exemplos de todas as situações solicitadas.

Pratique em casa. Não estou falando para você memorizar respostas, e sim para ensaiá-las o suficiente para conseguir estruturá-las de forma que fiquem claras para o entrevistador. Você pode até pedir ajuda para algum amigo fazer uma simulação de entrevista caso você esteja muito nervoso. Ou, ainda, ensaiar na frente de um espelho, filmar-se falando etc.

Quanto ao conteúdo

Com uma rápida pesquisa na Internet, você encontra diversos sites com dicas de como se sair bem em uma entrevista de emprego, quais as perguntas mais comuns, as “armadilhas” etc. Desse modo, o meu conselho para esse tópico não diz respeito à melhor forma de responder a essas perguntas, e sim à necessidade de estar preparado para dar exemplos de situações e responder aos ganchos que surgem de suas próprias respostas. Seguem alguns exemplos.

Pergunta: “Fale sobre você”

Resposta: “Sou bastante criativo, estou sempre pensando em ideias inovadoras”.

Nova pergunta: “É mesmo? Você poderia dar exemplos de situações em que foi criativo?”

Pergunta: “Por que você quer trabalhar nessa empresa?”

Resposta: “Porque é uma empresa grande, multinacional, que valoriza e respeita os funcionários”.

Nova pergunta: “Várias empresas possuem essas características. Por que então você quer trabalhar na nossa?”

Resposta: “Porque eu me identifico com os valores da empresa”.

Nova pergunta: “Com quais valores você se identifica? Por quê?”

Resposta: “Consumo os produtos desde criança”.

Nova pergunta: “Quais produtos você consome?” (Cuidado redobrado para não falar nenhuma marca do concorrente. Vale lembrar que uma hesitação nesse momento não será bem vista)

Pergunta: “O que você faz no seu tempo livre?”

Resposta: “Eu gosto de ler”

Nova pergunta: “O que você gosta de ler?” (Fale sobre gêneros, livros, autores. O mesmo raciocínio vale para filmes, música ou quaisquer outros hobbies que você cite)

Quanto à postura

Assuma uma postura profissional e ética. Seja pontual, educado, não interrompa, não masque chicletes, não fale mal de empresas ou chefes anteriores, não minta e não fale de forma grosseira ou com gírias.

Ouça o entrevistador. Esteja atento a todas as explicações fornecidas e procure entender bem as perguntas antes de respondê-las. Você pode pedir para refazer uma pergunta caso não a tenha compreendido bem, mas ficar perguntando sobre o que já foi explicado demonstra desatenção e até mesmo desrespeito.

Seja sincero e autêntico. Evite frases feitas. Ninguém aguenta mais ouvir que “ser perfeccionista é uma faca de dois gumes, pois é ao mesmo tempo qualidade e defeito” ou, ainda, que “daqui a cinco anos eu quero estar no seu lugar”. As suas respostas são somente suas, de mais ninguém. Portanto, tome-as para si. Uma das coisas que contam mais em uma entrevista é a maneira como você responde as perguntas, como você conta a sua história. E para isso vale tanto o entusiasmo com que você responde como o aprendizado demonstrado com as experiências.

Demonstre energia e vontade. Um aperto de mão firme, um sorriso no rosto, um certo brilho nos olhar. Você não faz ideia do quanto isso faz a diferença. O “brilho nos olhos” é algo contagiante. Ele desperta o recrutador daquele estado semi-letárgico de quem já fez mais entrevistas do que deveria em uma única semana, todas bem parecidas umas com as outras. Mostre o quanto você está interessado e o quanto tem disposição e energia para encarar o desafio.

Olhe nos olhos.Eu sei que isso é algo assustador para os tímidos, mas olhar a pessoa com quem você está conversando nos olhos é um princípio básico da comunicação. Imagine que você esteja conversando com um amigo, mas que ele fique o tempo todo olhando para a parede, pra baixo ou pra qualquer outra direção, sem olhar para você. Incomoda, né? Você não sabe se ele está com “a cabeça em outro lugar”, se ele não queria estar ali ou se há algum outro problema. É como se ele não estivesse realmente interagindo com você. Percebeu o problema?

Após a entrevista

Reflita. Passado todo aquele nervosismo e tensão característicos, começamos a relembrar a entrevista e a pensar em várias outras possíveis respostas para as perguntas feitas. Aproveite esse momento. Pondere ainda um pouco mais sobre as suas respostas para que possa ter um melhor desempenho de uma próxima vez. Procure fazer uma autoavaliação. Feedbacks são importantes, mas conhecer a si mesmo é melhor ainda. Com o tempo você desenvolverá essa habilidade e isso o ajudará não apenas a se sair melhor em outros processos, como também a diminuir a sua ansiedade. Ao ter consciência de que foi “bem” ou “mal” em uma entrevista, você não ficará mais tão desesperado por uma resposta.

No mais, as empresas sabem o quanto os candidatos estão nervosos e cheios de expectativa e, como mencionei anteriormente, todos reconhecem que, para estar nessa etapa, você possui um bom perfil e potencial. Então, procure não colocar todo o peso do mundo sobre os seus ombros nesse momento, e sim encher-se de confiança por ter chegado tão longe, de modo que você saia da entrevista com a serenidade de quem sabe que conseguiu mostrar o seu melhor.

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Deixe seu feedback!

  • Camila Rocha

    Desde que coloquei em minha cabeça que quero
    ingressar em um programar de trainee acompanho seu blog, parabéns vc não tem
    noção de quando tem me ajudado. Estou participando de um processo de trainee da
    BRINKS, irei fazer a dinâmica em grupo semana que vem, vc teria alguma dica
    para me dar? Alguém que vc conhece já participou desse processo?

    Desde já muito obrigadaaaa

  • Natalia

    Oi Cintia!
    Parabéns pelas palavras!
    Já me sinto confiante quanto a entrevista. Mas estou preocupada porque para chegar até ela dependo da apresentação pessoal da timeline. Como posso demonstrar o potencial que tenho para entrevista já no primeiro contato?

    • Obrigada, Natalia!

      Você se refere a uma etapa que ocorrerá antes da entrevista? Nos artigos do blog sobre dinâmicas de grupo e painéis de negócio eu também falo sobre apresentação pessoal. É só acessar a nossa seção de Dicas.

      Abraços

  • midhiam

    parabens cintia eu amo o seu trabalho .bjosss

  • Pingback: Vida de Trainee | Entrevistas: Por que você quer trabalhar nesta empresa?()

  • Caio

    Gostaria de saber se é válido levar cartas de recomendação para entrevista, obrigado!

    • Olá, Caio! Sim, é bastante válido levar cartas de recomendação, mas somente se forem “pessoais”. Explico-me. Uma coisa é você levar uma carta que o seu antigo gestor escreveu com suas próprias palavras. Outra é você levar aquele modelo padrão de carta de referência que muitas vezes é feito pelo setor de RH da empresa. Nesse último caso não vale a pena levar. Abraços

  • Olá!

    Novamente você está certo. Os moldes atuais têm gerado tantas críticas que várias consultorias estão buscando inovar nas formas de avaliação (com etapas de vídeos, blogs etc). Claro que esse é um processo que leva tempo, as coisas não irão mudar do dia pra noite, mas já é possível ver um esforço para isso.

    Abraços

  • Denis

    Bom artigo. Discordo porém, e novamente, sempre (rs) da parte que se refere à avaliação das dinâmicas (e indiretamente painéis). Por mais que as pessoas sejam parecidas elas não são iguais, se fazer uma avaliação em três ou quatro horas é dificil, baseando-se neste tipo de regra para avaliar eu confirmo a minha tese de que muitas das aprovações são falhas. Respeito muito quem dá a avaliação na hora, mais por diversas vezes pude ver aprovados que não preenchiam a falha que a consultoria apontava no meu feedback (quando há feedback).
    Por que a maioria dos resultados são dados após o acontecimento das dinâmicas/painel? Simples, para que não haja contestação por parte dos candidatos. O máximo que pode acontecer é você pensar onde falhou, mas jamais avaliar a solução da consultoria simplesmente porque você não saberá qual foi…rsrsrs.
    Por favor me desculpe, pode parecer indignação mas não é. Diversas vezes passei e tantas outras não, e tanto nas vezes que passei quanto nas ocasiões em que isso não aconteceu sai com a mesma dúvida, dúvida esta que a cada dia fortalece outras certezas.
    Abraço

    • Pois é, Denis. Não há como se ter uma avaliação 100%. O que eu posso dizer é que a avaliação é assertiva o suficiente para que o processo continue a ser realizado dessa forma.

      A grande questão do trainee é o número de candidatos, o que aumenta muito a "'régua" e faz com que o índice de reprovação seja alto. Tanto que muitas empresas estão buscando aproveitar candidatos que chegam até a fase do painel para outras posições, uma vez que eles possuem bom perfil e boas qualificações.

      É muito complicado isso de dar feedback na hora, pois ele não é necessariamente relacionado a algo que você tenha a melhorar, e sim a alguma característica do perfil da empresa a que você não atendeu. Uma vez eu recebi um feedback de algo que eu não considerava uma "falha", mas a empresa a via como tal, o que me fez perceber que na verdade eu não combinava tanto com a empresa quanto eu pensava.

      É normal se sentir injustiçado, mas é importante desenvolver o autoconhecimento, pois sempre é possível identificar pontos que podem ter causado a reprovação. #ficaadica

      Obrigada pelos comentários!

      Abraços

      • Denis

        Olá!
        Com certeza, é necessário ter um método que avalie e aprove/reprove. O que contesto é a forma como é feito, a impressão de uma pessoa por outra, o que necessariamente não é rea. E falo isso não pessoalmente, mas fazendo uma análise generalizada, pois há processos em que se pede uma pessoa comunicativa e levam um Trainee (efetivado pela empresa) para explicar o processo e este não consegue fazer uma apresentação… Neste ponto que quero dizer que o processo precisaria ser repensado. Recentemente fiz o da Rodobens, um dos que ouvi grandes criticas, mas quando cheguei lá achei que foi a melhor etapa presencial que já participei, com muitas formas de avaliação, dinâmicas, e entrevistas. Mas … como você mesma disse, o melhor a fazer é ir se adaptando e identificando possíveis pontos falhos durante o processo que foi eliminado e pontos fortes no que foi aprovado.

        Abraços

      • Olá, Denis.

        Certamente, existem várias falhas no processo de avaliação, especialmente em um programa de trainee, que lida com um número de candidatos muito maior do que o usual.

        Nesse sentido, tenho notado um grande esforço das empresas em melhorar os processos e torná-los mais transparentes.

        Espero que você possa testemunhar essa evolução.

        Abraços