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Mitos e Verdades: Existe triagem de faculdades?

05.10.2010 | em Carreira

Em posts anteriores da seção Mitos e Verdades, já falei sobre Experiência Internacional e Limite de Idade para os Programas de Trainee. A existência ou não de um filtro que seleciona apenas as faculdades “top de linha” é um outro tema bastante polêmico.

Mito ou Verdade?

Antes de mais nada, cabe lembrar que, na maioria dos casos, a triagem de candidatos é feita por meio de ranking. Alguns critérios são eliminatórios, como período de conclusão do curso fora do estabelecido e nível do idioma inferior ao que foi solicitado. Outros aspectos não eliminam, mas são utilizados para se gerar o ranking dos candidatos, em uma lista decrescente (da pontuação maior para a menor), com critérios que vão desde a fluência em um segundo idioma à formação em, sim, esse é um dos pontos, uma faculdade de destaque.

Quero deixar claro que nem sempre as consultorias/empresas adotam essa prática, mas isso é algo que em geral precisa ser feito para que não tenhamos milhares de pessoas nas etapas presenciais. De acordo com o número de vagas, é feita uma estimativa de quantos candidatos devem ser chamados para a fase de testes. Trata-se de um conta “de trás pra frente”, que segue uma linha de raciocínio mais ou menos assim: Se eu tenho certo número de vagas, devo enviar pelo menos X candidatos para serem entrevistados, de modo que precisarei de no mínimo um número Y nos Painéis, uma quantidade Z nas dinâmicas e um total de N nos testes. O cálculo considera, inclusive, possíveis desistências e previsão de quantos serão aprovados/reprovados em cada fase.

Não que um número de candidatos pré-determinado precise ser reprovado em cada fase. É exatamente essa a questão. Não se pode reprovar candidatos que apresentam um bom desempenho nos testes e nas etapas presenciais. O único momento em que é possível deixar de chamar todos os candidatos é o da triagem. A partir desse ponto, torna-se injusto desclassificar alguém que tecnicamente foi aprovado.

Sim, concordo que também é injusto não aprovar na triagem uma pessoa que atende a todos os critérios listados como pré-requisitos na divulgação do Programa. No entanto, temos diante de nós um grande problema, pois as empresas também não podem arcar com os custos e tempo necessários para se aplicar testes e dinâmicas a milhares de candidatos, sendo que para apenas uma dúzia de vagas. Se hoje um processo já chega a durar 6 meses, quanto ele não duraria com um número ainda maior de candidatos a serem avaliados?

Esse é um problema que já foi identificado pelas empresas e consultorias. Portanto, existe hoje um esforço conjunto para o desenvolvimento de novas soluções para os processos seletivos, de modo a torná-los mais justos e transparentes.

Um exemplo disso são os processos que contemplam outras fases virtuais além dos testes on line. Desse modo, é possível aprovar mais candidatos na fase de triagem, uma vez que, com mais passos, o número de candidatos nas etapas presenciais permanece o mesmo ou até menor, além de dar uma cara nova aos processos como um todo e ser uma inovação dentro daquele formato padrão testes-dinâmica-entrevistas que todos conhecemos.

Enquanto isso não se torna a regra, os casos em que a faculdade não é levada em conta continuarão a ser exceção. Mesmo assim, é importante deixar claro que esse não é o único fator observado no ranqueamento de candidatos. Portanto, antes de começar a utilizar a sua faculdade como uma “desculpa” por não passar nos processos, tenha maturidade e discernimento para identificar outros aspectos que podem ser a causa de suas reprovações.

Posso afirmar que absolutamente tudo é analisado nas fichas preenchidas na inscrição: desde atividades acadêmicas e sociais a suas respostas às perguntas subjetivas (aquelas do tipo “Fale sobre a sua maior realização até hoje”).

Ainda assim eu entendo a frustração das pessoas que não tiveram oportunidade de estudar em uma “faculdade top”. Conheço aquele argumento de que muitas das pessoas que entram em universidades públicas ou faculdades particulares “famosas” são de classes privilegiadas, verdadeiros “filhinhos de papai” e que não necessariamente são bons alunos, enquanto que temos ótimos alunos também nas faculdades particulares menos tradicionais.

Ocorre que o próprio fato de o candidato ter conseguido entrar em uma faculdade bastante concorrida demonstra por si só características como determinação e disciplina. Afinal, mesmo com todos os privilégios, não é fácil ser aprovado em faculdades desse nível, muito menos conseguir se formar nelas. Fora que também temos nessas faculdades alunos que estudaram muito, sem maiores regalias, para conseguir a aprovação.

Não pretendo aqui tirar o mérito de quem não estudou em uma “faculdade de nome”, mas temos de admitir que esse fator lá tem o seu peso. E isso acontece em qualquer lugar do mundo: Imagine alguém que se formou em Harvard ou Yale. É natural que isso seja considerado um diferencial. Não que no Brasil necessariamente tenhamos faculdades desse nível, mas a lógica de diferenciação é a mesma.

Também sabemos que, mesmo quando não há nenhuma restrição de faculdades, nas fases finais a maioria dos candidatos continua a vir das faculdades de maior destaque, pois em geral eles conseguem obter as maiores notas nos testes e costumam demonstrar maior preparo nas dinâmicas. Mais uma vez, no entanto, sempre teremos também candidatos de altíssimo nível vindos de faculdades menos prestigiadas.

O importante, como já mencionei, é que as empresas já identificaram que a restrição de faculdades não apenas é considerada injusta como também é um desperdício de potencial, uma vez que muitos candidatos excelentes deixam de ser apresentados por conta disso. De modo semelhante, a falta de etapas regionais limita a participação de candidatos de outras localidades nos processos, o que faz com que a grande maioria dos trainees em todas as empresas sejam do Sudeste. Isso também não deveria ser levado em conta pelas empresas?

Se analisarmos os processos de uma forma menos individualista e pararmos de focar apenas no que consideramos que nos “prejudica” como candidatos, perceberemos diversas falhas ou oportunidades de melhoria que nunca sequer reivindicamos, já que essas não nos afetam e sim aos “outros”. A única forma de os processos evoluírem é com a contribuição de todas as partes – empresas, consultorias e candidatos – com críticas relevantes e bem estruturadas, e não uma simples reclamação de algo que “nos prejudicou”.

Espero com esse post ter ajudado a provocar uma nova forma de olhar e criticar os processos.

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Cíntia Reinaux

Cíntia Reinaux tem 29 anos e um orgulho danado de ser pernambucana. A administradora apaixonada por RH criou o Vida de Trainee em fevereiro de 2010. Desde então, dedica parte de seu tempo para ajudar outros jovens como ela a refletir sobre suas carreiras.

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  • Lucas

    Hello Cintia! I’d like to say that you have a great ability to show solutions for my doubts regarding trainee issues in any meaningful way . I am studying electrical engineering (7th period) and currently I have been working to achieve a vacancy in a Multinational company here in Bahia.Thanks for your tips and reflexions. God blesses you.

    • http://www.vidadetrainee.com Cintia

      Hi there, Lucas! Thanks a lot! Hope you are enjoying your stay in Brazil. Are you an exchange student? Cheers

  • Lucas

    Olá Cínthia.Acabei de terminar o ensino médio e agora decidi que quero fazer administração,mas na minha cidade(Niterói-Rj) além da UFF não há muitas outras universidades,a melhor das opções seria a UNILASALLE ela possui IGC 3,você acha que ela me daria um bom currículo ou seria melhor analisar outras opções.Obrigado.Fiquei muito feliz por encontrar um blog como o seu!

    • http://www.vidadetrainee.com Cintia

      Olá, Lucas! Obrigada!

      Olha, na minha opinião, o mais importante é fazer o que gosta. É claro que o melhor é estudar em uma faculdade conceituada, mas, se não for possível, aconselho que se dedique ainda mais e participe de todas as atividades extracurriculares que puder. Uma experiência acadêmica rica irá abrir portas para você, por mais que a faculdade não seja renomada.

      Abraços

  • Leticia

    Olá Cínthia. Sou estudante de uma universidade pública, mas pretendo mudar de curso. Pretendo cursar comunicação, pra me especializar em comunicação institucional. Tenho pensado em me matricular numa universidade privada, ainda não muito renomada, mas que tem tido alunos premiados em concursos de comunicação nos últimos anos. Você acha que futuramente, quando formada, o nome da universidade pode pesar muito, se outros quesitos (como idiomas) atenderem aos pré-requisitos? Tenho medo de o nome da universidade pesar muito. Obrigada. E parabéns pelo blog!

    • http://www.vidadetrainee.com Cintia

      Olá, Letícia! Muito obrigada!

      Acho que a questão da faculdade depende muito de quais são os seus objetivos. Alguns programas de trainee utilizam filtros de faculdade, mas a abertura das empresas tem sido cada vez maior em relação a isso.

      Só que não se deve planejar toda uma carreira em torno de um programa que dura 2 anos em média. O trainee é apenas um meio.

      O aluno faz o curso. Se você se dedicar bastante, poderá conseguir boas oportunidades ainda na faculdade, e será mostrando o seu trabalho e potencial que poderá crescer e fazer o seu “nome” no mercado. E aí a faculdade não terá tanta importância.

      Abraços e sucesso

  • Agda

    Olá Cíntia, tenho acompanhado seus textos, muito bacana.
    Recentemente fui aprovada para um processo de Trainee, e nos pré-requisitos da vaga só mencionava Cursos Admin, Marketing… ou cursos correlatos. Não falava nada sobre que TIPO de graduação.
    Bom, eu já fui aprovada, o RH já me ligou. Você acha que existe alguma possibilidade de eu perder a vaga na hora de enviar o diploma de tecnólogo para admissão?? Mesmo sabendo que não seria justo, pois fiz todos os testes, estou muito preocupada.
    Obrigada,
    Agda

    • http://www.vidadetrainee.com Cintia

      Olá, Agda! Parabéns pela aprovação!

      De fato uma boa parte das empresas ainda não aceita o curso de tecnologia para os programas de trainee. Normalmente elas fazem essa restrição informando que o curso deve ser bacharelado ou de longa duração por exemplo.

      Mas se você foi aprovada, deve ter passado por várias etapas, de modo que a empresa viu no currículo que o período de informação era inferior a 4 anos e imagino que você tenha mencionado mais detalhes do curso na dinâmica, entrevista etc.

      Desse modo, não acredito que a sua formação seja um problema, desde que tanto a empresa quanto você tenham sido transparentes ao longo do processo.

      Abraços e boa sorte!